Algumas considerações…
Como a idéia é de também fazer desse um blog ainda mais pessoal do que o meu original, também vou falar algumas coisas que estão me ocorrendo no pensamento de uns dias pra cá… Esse blog teve início em 11/11/2007. Ou seja, fazem apenas 10 dias que eu tomei uma decisão que vai mudar toda a minha vida. Segundo a balança e as minhas calças que estão voltando a servir, os resultados estão sendo bem práticos e bons.
Mas vamos contar um pouco de história…
Esses dias eu estava pensando que sempre fui gordinha, desde criança. E desde criança (que eu me lembre, uns 9 anos) eu sempre fiz regimes e dietas, sempre fui em nutricionistas e coisas afins. Já fiz de tudo: vigilantes do peso, herbalife, dietas especializadas, acompanhamento médico com nutricionistas, mil coisas. Nada nunca funcionou. Quer dizer, uma vez que eu tomei remédio, funcionou bem… Mas depois que parei com o remédio, voltou tudo de novo em dobro (haha!). Mas a bem da verdade mesmo nada nunca funcionou, por que eu nunca quis emagrecer. Essa nunca foi uma vontade minha, mas da minha mãe.
Então todas as mudanças que tentava fazer eram de fora pra dentro. E como eu ficava angustiada por causa da minha mãe, queria que tudo fosse rápido e fácil. Queria emagrecer de um dia pro outro sem esforço. Queria emagrecer mas continuar comendo em quantidade e falta de qualidade. Queria colocar prazos absurdos pra que eu perdesse peso…
Gente… Isso é ilusão. Isso não existe.
Não estou falando que “tem que passar fome” por que isso é algo que não concordo. Não tem que passar fome, nem passar vontade, mas a mudança tem que ocorrer de fora pra dentro. Tudo tem que mudar: as preferências e os hábitos alimentares. No meu caso, eu reconheci em mim mesma que tenho um problema e agora estou agindo sobre ele. Esse problema não é temporário: é pra vida toda. Ou seja, essa minha mudança não pode ter “data marcada pra terminar”. Ela não termina nunca. São hábitos saudáveis que vou precisar ter pro resto da minha vida, se quiser ficar bem com o espelho de novo.
Fico imaginando que, se eu ainda morasse com os meus pais, nunca ia conseguir isso, por vários motivos. Pra mim era horrível ter que conviver com as comidas da minha mãe enquanto tinha que me virar em dietas malucas, comendo pouco e comendo coisas que não gostava. Agora que estou morando sozinha e não tenho ninguém nem nada pra ficar me tentando, está sendo muito bom. Quando saio na rua, não fico com tanta vontade de comprar coisas pra comer: penso em gastar dinheiro com outras coisas. Também estou longe, bem longe dos eternos olhares de reprovação da minha mãe. Sempre tive uma relação muito complicada com ela, justamente por ela ser uma profissional da estética e saúde. E ela sempre foi muito frustrada por eu sempre estar muito longe de fazer parte do “padrão” e da “normalidade”.
Foram vários os motivos que me levaram a não querer emagrecer e permanecer inerte por tanto tempo… Falta de auto-estima é o principal deles. Nunca tive, inexistente, nem sabia o que era isso. O segundo é a minha mãe, pois acredito que ela contribuiu considerávelmente para o principal motivo. Não que ela tenha me impedido de emagrecer nem nada do tipo, pelo contrário, ela sempre me apoiou e sempre quis (muito mais que eu, na verdade) que eu emagrecesse. Mas ela sempre exigia demais de mim e sempre me punia quando eu falhava ou recaía. Além de me punir, sempre me humilhava publicamente quando podia, me olhando com reprovação e me botando pra baixo na frente de todos, como se essa atitude dela fosse um grande estímulo pra eu querer ser alguém melhor pra mim mesma.
Não quero ser melhor pros outros… Quero ser pra mim mesma. Por que eu mereço e eu valho o esforço.
Ela sempre me tratou como uma criança de 5 anos de idade, isso quando eu já tinha 16. Às vezes eu chego a imaginar que (respondendo infantilmente a ela) eu só não quis emagrecer e só quis continuar gorda de raiva dela, só pra atingi-la e fazê-la ficar com mais raiva ainda. Talvez possa até ter sido mesmo, inconscientemente, não sei…
Enfim… Nunca existiu ninguém na minha vida capaz de melhorar minha auto-estima e de me fazer querer ficar bem comigo mesma. Até outubro desse ano. Digamos que me apaixonei. E que não só me apaixonei, mas também, de fato me envolvi com essa pessoa. E foi tudo muito lindo, mas de curtíssima duração. Ainda nos falamos hoje e nos gostamos muito também, mas nada muito sério, nada fogo de palha como foi no começo. Mas dentro de mim ficou aquela sensação terrívelmente angustiante de que “poderia ter sido muito melhor do que isso”. E essa sensação amarga permanece até hoje. Por parte minha, é claro. E foi aí é que o espelho começou a incomodar de verdade e foi por isso que resolvi tomar uma atitude. Não por ele especificamente, nem pra “reconquistar” ninguém, mesmo por que não acredito que isso seja possível… Mas pra mim mesma. Pras próximas vezes que essas coisas acontecerem. Pra evitar a auto-frustração (algo que considero a coisa mais horrível e abjeta do mundo).
É claro que se a “reconquista” porventura acontecer naturalmente, será muito ótimo, ficarei feliz, pois gosto muito dele. Mesmo. Mas esse não é o meu objetivo. Meu objetivo agora, hoje, mais do que nunca, sou eu mesma. Quero ser dona - de verdade - do meu próprio corpo e poder explorá-lo como nunca antes. Reconhecê-lo e gostar dele, gostar de me ver no espelho, poder usar roupas que gosto, poder me sentir atraente de verdade e bem sexualmente. Tudo. Os benefícios são incontáveis. E eu quero isso hoje, mais do que nunca quis.
Estou em guerra, comigo mesma e com meus maus hábitos.
E vou vencer.
Beyoncè Knowles

A relação com as mães é bem complicada. Um dos ‘insights’ que tive ao começar a dieta é que não fazer dieta era uma forma de me rebelar contra a minha mãe, que nunca aceitou que eu fosse gorda (e, por conseguinte, acabou com qualquer chance de eu me aceitar desse jeito). Lógico que elas nunca fazem por mal, mas mesmo assim o estrago é grande. O bom é que a gente teve a consciência de enxergar e fazer algo para mudar. Resolvi admitir que tb não me aceito gorda e se isso era uma coisa q minha tb queria, tudo bem. Emagrecer vai ser muiti melhor pra mim. Pra nós. E aí quando a gente ficar magra e linda e poderosa, nada vai segurar a gente (vamos ficar insuportáveis!!! rs).
Bj,